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Granjinha/Cando

e Vale de Anta... factos, estórias e história.

Granjinha/Cando

e Vale de Anta... factos, estórias e história.

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09
Jun14

“L Á G R I M A S”

 

 

 

 

 

CHAVES, a MINHA CIDADE, a NOSSA CIDADE, A NOSSA TERRA; e a GRANGINHA, a MINHA GRANGINHA, a MINHA ALDEIA NATAL, são, sempre o foram, um manancial de saudades, nascentes das lágrimas que me correm pela face e me inundam o coração.

 

Este, fraco como anda, pelo preço que a vida lhe tem cobrado, ainda vai erguendo pequeninos montes de esperança de as ver, à MINHA CIDADE e à MINHA ALDEIA, respeitadas e veneradas como tanto merecem!

 

À CIDADE, queria vê-la com ruas asseadas, cheias de gente, como outrora: com estudantes, militares, homens e mulheres «às compras»; negociantes de gado e de batatas, de peles ou de volfrâmio; contrabandistas a rondar os Guardas-Fiscais, e «passadores» a escolherem o melhor caminho para «o salto»; as Raparigas namoradeiras a fazerem ter um recado para dar à «comadre» da outra rua (ou até só do outro lado do passeio!) e, assim, mandarem um beijinho com os olhos, soprado com um trejeitinho dos lábios, na certeza de que deixavam mais doido ainda o seu «apaixonado»; o Tâmega a dar mansinhas gargalhadas ao espelhar a timidez dos parzinhos que pela margem do Tabulado passeavam, convencidos de que o enganavam ao atirar-lhe um pedacinho da folha nervosamente cortada; o Jardim Público, com canteiros floridos, e, no Verão, com o coreto preparadinho para acomodar «Pardais», «Canários» ou o «Calypso»; no Arrabalde, ouvir a piada subtil atirada aos «bufos da PIDE», apreciar a sabedoria dos «engraixadores», por entre quem se disfarçavam os enamorados para receberem o último aceno do «adeus» das suas apaixonadas, quando as madrinhas (ou os «choferes» das madrinhas), lhas roubavam para as ALDEIAS; o comboio a apitar na travessia da Ponte de Curalha, ao passar a S. Fra(g)ústo, ao chegar à Fonte Nova, a saudar Santo Amaro, e na Raposeira soltar aqueles potentes silvos como a querer deitar a baixo as fronteiras com a Galiza; … e as «Freiras» merecerem ser chamadas «Jardim Celeste»!

 

 

 

À GRANGINHA, com os caminhos de acesso modernizados, desde o da “Ribeira”, do Vale Covo, do Cando, do Frei Janeiro, do Pedrete e do Matadouro (agora entupido pela “Várzea”); as matas, os pinhais e as carvalheiras morada de lobos, raposas, linces, gatos-bravos, lagartos e «vestigos» (até mesmo os «bichos-da-unha», na “Aberta da Ti’Aurora d‘Abobeleira!), águias e peneireiros, cucos e poupas; os quintais e as cortinhas, poiso de carriças, gaios, melros, pintassilgos, tordos, piscos e chascos; rouxinóis a desafiar-nos na “Pipa”; o “Campo”, ora cheio de «merendeiras», ora ocupado pelos exércitos de grilos; as duas eiras enfeitadas com medas de centeio; crianças a jogar ao «romisco»; a CAPELA, estimada, defendida das chuvas, das enxurradas e temporais, restaurada, estudada («por dentro», «por fora» e «por baixo»!), as ruas (desde «as Carvalhas» e do «Alto do Cando») até ao «tanque» e ao «Campo», pelo menos), os «fundos das casas» e os quintais «levantados» por Arqueólogos; e, no Largo do Carvalho, ou no Largo da Capela ou no Alto do Campo um monumento à Gente boa que aí nasceu e viveu!

 

E Tu, se ainda não foste lá, não te dixes morrer sem veres, na GRANGINHA, o nascer e o pôr-do-sol!

 

NADIR está em dívida para comigo: (temendo aí encontrar a sua Leila), não pintou o céu de Agosto da MINHA ALDEIA!

 

 

 

M., 1 de Junho de 2014

 

Luís da Granginha